O blog webdesignbooth.com é emblemático dos sites atuais pelo menos quanto a uma coisa: parece desejar desesperadamente que seus leitores contem aos amigos o que o blog tem a dizer.
No topo de cada artigo do blog, que atende aos interessados em web design, há links que convidam os visitantes a postar a história no Facebook e nos sites de listas de preferidos StumbleUpon e Delicious. Caso os leitores não recebam a mensagem, ao final de cada post há uma série de outros ícones, conduzindo ao Twitter, Digg, Reddit e diversos outros sites sociais, acompanhados por um incentivo em vermelho brilhante: "Compartilhar é sexy".
Porque o blog é novo e tem poucos leitores, "preciso desses botões para encorajar os visitantes a distribuir meus posts aos seus amigos", explica Dicky Lim, criador do site, que vive na Malásia.
Não que Lim mereça críticas por sua atitude. Muitos sites agora ostentam vasta abundância de recursos para que os usuários distribuam o conteúdo encontrado via redes sociais. O site do The New York Times, por exemplo, oferece links para postar artigos no Twitter e sete outros serviços, entre os quais LinkedIn e Yahoo Buzz. O site do Wall Street Journal oferece links para distribuir seus artigos no Facebook e nove outros serviços, entre os quais MySpace e Fark.com.
Seus pais provavelmente insistiram, quando você era criança, em que dividir tudo com os amigos era a coisa certa. Mas na web atual, induzir as pessoas a oferecer links se tornou um grande negócio, que permite conduzir tráfego a um site e, com isso, elevar seu faturamento publicitário. Companhias jovens como a AddThis (controlada pela Clearspring Technologies) e a ShareThis são os gigantes desse cantinho da web, e oferecem aos grandes sites interessados seu catálogo de botões para compartilhamento - a custo zero; essas empresas também estão tentando desenvolver maneiras de faturar por meio de venda de dados sobre quais usuários estão compartilhando conteúdo, quais conteúdos e em que volume, às empresas de conteúdo da web e aos anunciantes que veiculam publicidade em seus sites.
Os criadores de conteúdo, enquanto isso, estão desenvolvendo maneiras de persuadir os leitores a compartilhar mais, da mesma maneira que empregam estratégias de "otimização para serviço de buscas" a fim de que suas páginas recebam classificação mais elevada nos retornos de buscas. Uma recomendação pessoal, dizem, pode ser tão forte quanto uma recomendação do Google. "Se um link vem de um amigo, é provável que um usuário confie mais nele que em um link do Google", diz Jay Meattle, fundador da Shareaholic, uma empresa criada um ano atrás a fim de oferecer software gratuito de compartilhamento para integração ao navegador Firefox.
Que os criadores de conteúdo estão na corrida por exibir seu material aos chamados formadores de opinião não deveria representar novidade. Mas a definição de "formador de opinião" mudou radicalmente nos últimos 12 meses ou pouco mais.
No século passado, as organizações tradicionais de mídia batalhavam para expor seu conteúdo às elites; as revistas noticiosas, por exemplo, distribuíam cópias antecipadas a políticos e a outros veículos de mídia. Na era do Twitter e do Facebook, qualquer pessoa pode fazer parte da elite formadora de opiniões, e se tornar o diretor de uma espécie de sociedade particular de admiração mútua. A cópia distribuída com antecedência se tornou o botão de "postar no Facebook".
Para sublinhar a importância da tendência, redes sociais agora se tornaram fonte importante de tráfego para muitos sites, e em certos casos desafiam os serviços de busca como principal fonte de novas visitas. Por exemplo, a principal fonte de visitas ao site de fofocas perezhilton.com é o Facebook. Cerca de 15% dos visitantes do site vêm do serviço de redes sociais, de acordo com a Compete.com, uma empresa que mede o tráfego da internet. O Google vem em segundo lugar, conduzindo ao site cerca de 9% de seus visitantes.
Os novos gurus do compartilhamento na Internet afirmam que, quanto mais fácil for compartilhar links com os amigos, mais as pessoas o farão. Para ilustrar o fato, a Meebo, uma empresa do Vale do Silício que desenvolve serviços de mensagens instantâneas, recentemente adicionou um recurso a alguns de seus sites parceiros que permite ao usuário clicar sobre qualquer elemento do site -por exemplo, uma foto ou manchete- e arrastá-lo a grandes ícones do Twitter e Facebook na tela, o que automaticamente envia esses itens aos amigos do usuário nesses serviços.
Tudo isso pode resultar em uma nova fonte de controvérsias na internet. O Google e outros serviços de busca sempre rejeitaram as atividades de empresas que tentam otimizar resultados de busca, ou seja, encontrar maneiras de levar os algoritmos de busca a concederem classificação mais elevada a certos sites. Será que os sites de redes sociais como o Facebook e o Twitter vão rejeitar os novos "otimizadores de mídia social" que estão utilizando diversos truques -alguns engenhosos, outros não- para convencer usuários a compartilhar até mesmo as mais triviais informações? É possível. Ao que parece, as pessoas perderam a capacidade de guardar as coisas para si.
Fonte: Terra
